quinta-feira, 25 de novembro de 2010

O PERFIL DO ALUNO DA EJA




Dentro da educação de jovens e adultos, um dos principais focos de discussão é o atendimento à diversidade de faixa etária em uma mesma sala de aula. Os professores carregam em sua prática educativa e debatem nos cursos de formação a dificuldade em trabalhar com diferentes níveis de conhecimento e ritmos de aprendizagens, decorrentes da trajetória de vida dos jovens e adultos que migram para os cursos de EJA.
Estes dois grupos, jovens e adultos, que freqüentam o mesmo espaço de aprendizagem, diferenciam-se em condições biológicas e psicológicas necessitando assim, de tratamentos diferenciados. Os alunos são considerados sujeitos sócio-histórico-culturais com conhecimentos e experiências acumuladas, não se trata apenas da diferença de idade, mas sim de uma questão social constituída historicamente. A falta da escola retirou deles as características da juventude, seja pela evasão escolar, exclusão dos grupos da mesma idade ou exclusão do sistema regular de ensino. Estes alunos, na maioria dos casos, tiverem que optar pelo mundo do trabalho, lutando contra as dificuldades, fazendo escolhas que os levaram a distanciar-se da escola.
O aluno adulto do EJA enfrenta um esforço diário para permanecer no curso, aprender, responder as tarefas e participar das aulas, tendo o respeito ao professor, enquanto o aluno jovem passa pela falta de motivação, não envolvimento com as tarefas, inquietações que os levam a conversar excessivamente, não prestando atenção nas aulas. A realidade que os cercam é o ambiente que é do adulto. O jovem não reconhece a ação educativa que o mantém na condição de criança, como também não se identifica com as cobranças e exigências de trabalho que a sociedade impõe. Desta forma, a ação educativa não leva à compreensão de sua integridade como pessoa, com manifestações naturais e biológicas.
Como professores(as), estas questões nos fazem pensar sobre nossas ações educativas. Cabe a escola visar o desenvolvimento integral dos educandos em seu contexto ambiental e social, propiciando transformações de comportamentos, sentimentos e pensamentos dos jovens. Aos professores, reorientar suas práticas educativas atendendo as necessidades cognitivas, afetivas, motoras e sociais do público do EJA. Sendo assim, torna-se possível que os jovens e adultos superem os estigmas da exclusão social, ocasionados muitas vezes, pela falta da escolarização em idade própria.

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